Mudar o país. É este o mote das manifestações dos dias 13 e 15. É este o mote que deve crescer de forma apartidária e não passional, afinal, parte-se do pressuposto que direita e esquerda querem o melhor para o país. Agora, mudar como?
Mudar com impeachment? Não. Impeachment é um instrumento que não possui na sua definição os atributos necessários para mudar a política do país, que é ultrapassada e possui fraca capacidade de representatividade.
Para os iletrados politicamente talvez seja mais fácil fazer uma alusão à série House of Cards. Um impeachment é protocolado no congresso nacional quando se detém evidencias de algum tipo de crime cometido pelo presidente. Comprovada a culpa, este é substituído pelo próximo político na linha sucessória: o vice-presidente. Isso muda a forma de comissionamento dos cargos? Não. Isso muda a representatividade (estadual/distrital)? Não. Isso muda o financiamento de campanha? Não. Isso tira do novo presidente prerrogativas sob cargos em companhias Estatais? Não. Isso dá um choque de gestão? Não. Estes e alguns outros temas devem ser tratados no âmbito de uma reforma política, necessária na tentativa de coibir a corrupção e mais eficaz neste objetivo do que um impeachment.
E se?
Mas e se um impeachment realmente acontecer no Brasil? Primeiramente ele não será fruto de nenhuma manifestação. Sinto informar que um impeachment só acontece se o Congresso Nacional desejar e realmente se convencer que ele (o Congresso) será beneficiado pelo alto custo político de um processo desse porte. Collor caiu porque não cedeu ao Congresso, e não por que as pessoas se pintaram nas ruas.
Digamos que isso ocorra. A primeira impressão no âmbito internacional será de que o Brasil tem uma democracia fraca, onde um presidente é deposto (legalmente, ok. mas ainda deposto) numa espécie de democracia à la carte, onde eu desejo a troca do presidente se eu não estiver contente ou se não tiver sido o meu candidato. A reação disso? O dólar dispara de R$ 3,10 para R$ 4,50. Bom pra mim, bom para a indústria, mas ruim para as compras no exterior (vide texto "Mas afinal, o que representa o câmbio", de 11/03/2015).
Com a taxa de câmbio a R$ 4,50, o novo Presidente Temer, em algum momento, vai se ver obrigado subir a taxa de juros para atrair mais dólares para o mercado brasileiro (como já foi dito no texto do dia 11/03/2015, temos um crescimento baseado em poupança externa), o que vai novamente na contra-mão da produção e desenvolvimento brasileiro. No curto/médio Brasil nenhum impacto pro "Muda Brasil".
Teremos também uma espécie de tríplice coroa pmdebista na política brasileira: na Presidência da República, Presidência do Senado e na Presidência da Câmara dos Deputados. Respectivamente, Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Do ponto de vista da governabilidade (hoje afetada), ótimo. Do ponto de vista democrático da contraposição de Poderes, o pior cenário possível.
Mas e a tão carecida reforma política? Mudar o financiamento de companha e diminuir a intervenção privada na política? Nada. Repensar a a representatividade no congresso aproximando eleitores de eleitos e barateando as campanhas? Nada. Repensar os critérios de validação de partidos/coligações para cada eleição e evitar uso de dinheiro público para representatividades mínimas? Nada.
Se o cenário da tríplice coroa pmdebista e NENHUMA mudança política interessa a alguém, esta pessoa deve sim ir às ruas e gritar "IMPEACHMENT JÁ".
Agora, se a discussão sobre reforma política lhe apetece mais e você acha que o Brasil precisa modernizar sua forma de gestão pública, então também vá às ruas. Mas grite "REFORMA POLÍTICA". Mais que isso, leia, se atualize e estude um pouco. Acompanhe também as propostas que circulam no âmbito da Comissão Especial de Reforma Política.PEC 352/2013
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