Estou até agora tentando entender
a matéria “Brasil ajuda a derrubar comércio, diz OMC”, do experiente jornalista
Assis Moreira publicada ontem no jornal Valor Econômico. A confusa matéria
não mostra o porquê nem indica momentos em que Organização Mundial do Comércio
teria citado tal fato.
Relatórios como o utilizado (acesse aqui) pela matéria
costumam ser complexos e divididos em temáticas. Estas estão misturadas e
desordenadas num texto que pode confundir o leitor, sobretudo o leitor leigo sobre
comércio internacional. Pondero alguns
pontos trazidos pelo relatório que foram ignorados pelo jornalista e que contrastam
com o título da matéria, assim como faz o próprio texto da matéria:
1. O
Brasil, assim como a Rússia, teve a desaceleração econômica atribuída à queda
dos preços das commodities.
2. A
desaceleração das importações e exportações mundiais é atribuída à queda do
preço do petróleo e à valorização do Dólar frente às principais moedas. Um dólar
forte faz com que menos dólares sejam necessários para o pagamento dos produtos
(exportados) em Reais, Euros, Yen, Pesos, e assim por diante. Isso faz com que
os valores do comércio internacional apresentem reduções percentuais.
3. O
recuo nas importações brasileiras é apontado como um “fato de pouca influência
no comércio global” por ter baixa participação percentual no total importado
globalmente. Em contraste, a queda registrada nas importações europeias tem um peso
significante na desaceleração das importações mundiais. Ou seja, a retração brasileira não está derrubando o comércio mundial.
Concluo com um pensamento sobre o
tema desvalorização cambial. No referido relatório, o Euro e o Yen (moeda
japonesa) são referenciados como duas moedas que chamam atenção pelas maiores
variações cambiais apresentadas (desvalorizações frente ao dólar). Como é
realçado ao longo do relatório, a valorização do Dólar americano sobre as
principais moedas é uma tendência concretizada. Não vejo, contudo, a “crise do
euro” e a “crise do yen” lado a lado com os diagnósticos semanais da “crise do
real”. O câmbio tem um impacto grande no comércio, e suas variações devem ser
analisadas com critério e cautela, vide os recentes inquéritos abertos sobre
manipulações cambiais do Real.