terça-feira, 16 de junho de 2015

Más interpretações na mídia.

Estou até agora tentando entender a matéria “Brasil ajuda a derrubar comércio, diz OMC”, do experiente jornalista Assis Moreira publicada ontem no jornal Valor Econômico. A confusa matéria não mostra o porquê nem indica momentos em que Organização Mundial do Comércio teria citado tal fato.

Relatórios como o utilizado (acesse aqui) pela matéria costumam ser complexos e divididos em temáticas. Estas estão misturadas e desordenadas num texto que pode confundir o leitor, sobretudo o leitor leigo sobre comércio internacional.  Pondero alguns pontos trazidos pelo relatório que foram ignorados pelo jornalista e que contrastam com o título da matéria, assim como faz o próprio texto da matéria:

1. O Brasil, assim como a Rússia, teve a desaceleração econômica atribuída à queda dos preços das commodities.
2. A desaceleração das importações e exportações mundiais é atribuída à queda do preço do petróleo  e à valorização do Dólar frente às principais moedas. Um dólar forte faz com que menos dólares sejam necessários para o pagamento dos produtos (exportados) em Reais, Euros, Yen, Pesos, e assim por diante. Isso faz com que os valores do comércio internacional apresentem reduções percentuais.
3. O recuo nas importações brasileiras é apontado como um “fato de pouca influência no comércio global” por ter baixa participação percentual no total importado globalmente. Em contraste, a queda registrada nas importações europeias tem um peso significante na desaceleração das importações mundiais. Ou seja, a retração brasileira não está derrubando o comércio mundial.


Concluo com um pensamento sobre o tema desvalorização cambial. No referido relatório, o Euro e o Yen (moeda japonesa) são referenciados como duas moedas que chamam atenção pelas maiores variações cambiais apresentadas (desvalorizações frente ao dólar). Como é realçado ao longo do relatório, a valorização do Dólar americano sobre as principais moedas é uma tendência concretizada. Não vejo, contudo, a “crise do euro” e a “crise do yen” lado a lado com os diagnósticos semanais da “crise do real”. O câmbio tem um impacto grande no comércio, e suas variações devem ser analisadas com critério e cautela, vide os recentes inquéritos abertos sobre manipulações cambiais do Real.

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